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Florianópolis, 10 de março de 2017

 

Na próxima segunda-feira, 13, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) dará início ao Monitoramento Rápido de Cobertura (MRC) da vacina contra a febre amarela em todos os 162 municípios catarinenses que integram a Área com Recomendação para Vacinação (ACRV). O objetivo é verificar a situação vacinal contra a febre amarela dos habitantes acima dos nove meses e abaixo de 60 anos de idade, uma população estimada em 500 mil, conforme IBGE (2010). Durante esta ação, quem não estiver imunizado será vacinado.

A metodologia do MRC foi apresentada aos secretários municipais de saúde na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) no dia 23 de fevereiro, e definida em uma videoconferência realizada no dia 6 de março entre as equipes de imunização, Vigilância das Zoonoses e Atenção Básica das Gerências Regionais de Saúde e dos municípios com ACRV. “Trata-se de uma atividade de campo recomendada pela Organização Pan-Americana de Saúde para supervisão das ações de vacinação”, explica a enfermeira Vanessa Vieira da Silva, gerente de Imunização da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE).

Até o dia 24 de março, residências desses municípios serão visitadas por agentes comunitários de saúde para resgatar indivíduos não-vacinados, garantindo a prevenção e o controle da doença. “Essa estratégia é fundamental para protegermos a população de nosso estado contra a febre amarela”, pondera Vanessa. Ao final, o MRC revelará a real cobertura e servirá de base para o planejamento de ações específicas de campanhas nas áreas que tenham baixos índices vacinais.

Quem se deslocar para um desses municípios que integram as Áreas com Recomendação de Vacinação em uma dessas cidades catarinenses ou em outros estados, também deve se imuzinar com pelo menos dez dias antes da viagem. De janeiro até o dia 6 de março, 39.525 pessoas foram vacinadas contra febre amarela em Santa Catarina, um aumento de 38% em relação as 28.678 doses aplicadas no mesmo período do ano passado.

 

Vigilância de epizootias  

Os primatas não-humanos (PNH-macacos) são como sentinelas da febre amarela. Por viverem no mesmo ambiente que os mosquitos transmissores (Haemagogus e Sabethes) em área silvestre (restrito às matas), os macacos são os primeiros a adoecer alertando para uma possível circulação do vírus da febre amarela naquela região. Daí a importância em comunicar imediatamente às autoridades municipais de saúde, pois na ocorrência da morte ou adoecimento destes animais, amostras devem ser coletadas em até 24 horas para análise. Alterações no comportamento ou queda repentina no número de macacos em determinada área também devem ser informados.

Para efeito de vigilância, todo o primata não-humano (macacos) de qualquer espécie encontrado doente ou morto, incluindo ossadas, deve ser considerado um caso suspeito de febre amarela. Por isso, a vigilância epidemiológica municipal deverá investigar e notificar o caso em até 24 horas pela via mais rápida, por e-mail ou telefone, e proceder a coleta de material e envio imediato ao Laboratório Central para diagnóstico”, alerta Suzana Zeccer, gerente de Zoonoses da DIVE. Caso o adoecimento ou a morte do macaco ocorra em local integre as áreas com recomendação para vacinação (ACRV), o município deverá realizar a busca ativa em todos os indivíduos não vacinados contra febre amarela, em um raio de 300 metros a partir do local de ocorrência e realizar a vacinação.

A população também pode colaborar para essa vigilância, especialmente quem mora em área rural ou próximo a áreas de mata. “Quem encontrar um macaco morto ou doente, ou observar comportamento atípico desses animais, deve informar o caso imediatamente à Secretaria Municipal de Saúde. Vale lembrar que os macacos não transmitem febre amarela. Eles são vítimas da doença, assim como os humanos”, enfatiza a bióloga Renata Ríspoli Gatti, responsável pela vigilância da febre amarela em Santa Catarina. Segundo ela, quando os macacos estão doentes, eles apresentam comportamento lento, costumam descer das árvores e perambular pelo chão e têm dificuldades para se alimentar.

A ocorrência de mortes de macacos relacionadas a uma mesma causa, como a infecção pelo vírus da febre amarela, revela a existência de uma epizootia ( conceito utilizado em veterinária e ecologia das populações para qualificar uma enfermidade contagiosa que ataca um número inusitado de animais ao mesmo tempo e na mesma região, com rápida propagação).  De 1° de janeiro a nove de março de 2017, Santa Catarina registrou 16 epizootias envolvendo 18 macacos, com oito coletas oportunas de amostras. Dessas, três apresentaram resultado não-reagente e cinco ainda aguardam resultado laboratorial.

No mesmo período foram notificados 11 casos humanos suspeitos de febre amarela no estado. Desses, sete foram descartados por apresentarem resultado não-reagente e quatro (com histórico de viagens para Goiás, Espirito Santo, Minas Gerais, São Paulo e  Mato Grosso do Sul) aguardam resultado laboratorial. Santa Catarina não registra casos de febre amarela em humanos desde 1966. Todos os exames são realizados pelo Instituto Adolfo Lutz/SP, laboratório de referência em febre amarela para Santa Catarina, e os resultados podem levar até 20 dias para serem liberados.